segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Infraestrutura e setor elétrico podem ganhar peso no Ibovespa
Emerson F. Tormann18:11

Mercados - Ações desses segmentos tendem a se beneficiar mais em um cenário de recuperação econômica




Em um momento de definições políticas e da expectativa positiva para a esperada retomada do crescimento econômico, analistas começam a antever setores que podem aumentar sua participação na composição do Ibovespa, o principal índice da bolsa de valores. As maiores apostas estão com as áreas de energia elétrica e infraestrutura. O setor de consumo, que já aumentou sua presença no índice nos últimos anos, também pode ganhar uma parcela maior de participação.

A perspectiva de um aumento das fusões e aquisições das empresas do setor de energia elétrica nos próximos meses é o principal fator que coloca a área entre as preferidas dos analistas. As ações dessas empresas já têm sido destaque neste ano, estando entre as maiores valorizações acumuladas no pregão. Os papéis ordinários da Eletrobras, por exemplo, já subiram 222% neste ano, enquanto o Ibovespa tem alta de 33% no período.

Se essa percepção for confirmada, o setor de energia vai retomar o peso que já teve no Ibovespa há alguns anos. "Se a área continuar com essa expectativa positiva de fusões e aquisições fará com que aumente o interesse dos investidores pelos papéis das empresas. Com isso, o preço da ação deve subir, e o 'free float' [as ações em circulação] também deve aumentar", diz um estrategista de um banco local.

O setor de energia elétrica já foi um dos de maior participação no Ibovespa. Em 2000, época das privatizações, a área representava 19,78% do Ibovespa. Mas acabou por perder seu brilho: hoje representa apenas 5,34% do índice acionário que reúne as mais negociadas ações brasileiras.

No caso do setor de infraestrutura, uma retomada econômica puxada por investimentos daria mais peso ao segmento, podendo se refletir na sua participação no Ibovespa. "[Mas] Imaginamos que a retomada será lenta para padrões históricos, o que deve fazer com que as mudanças de peso no índice também sejam mais lentas do que no passado", pondera Octavio de Barros, economista-chefe do Bradesco.

As principais ações ligadas ao segmento de infraestrutura, como CCR, Ecorodovias, Rumo Logística e Weg, que fazem parte do Ibovespa, têm uma participação de 5,18% do índice. Esse percentual é bem próximo da participação que o segmento mantinha no Ibovespa há 16 anos, de 4,83%.

Outro setor em destaque, que deve continuar em alta no Ibovespa, é o das ações ligadas às empresas de consumo. "O crescimento da economia deve favorecer as empresas desse setor e também as instituições financeiras, que se beneficiam do aumento das concessões de crédito e de financiamento", diz Roberto Reis, superintendente de gestão de fundos do Santander Asset Brasil.

A composição do Ibovespa passou por diversas mudanças nos últimos anos, acompanhando os ciclos econômicos. Atualmente, a maior parte das empresas que fazem parte do índice são uma representação da economia real, o que é positivo para o investimento estratégico em ações.

Os setores com a maior participação no Ibovespa são os de consumo e financeiro. Juntos, esses dois segmentos representam 60% do índice acionário. As duas áreas são computadas juntas porque o sistema financeiro se beneficia de um crescimento do consumo, por meio da concessão de crédito e de financiamentos. "Com essa composição, o Ibovespa representa melhor a economia brasileira, já que dois terços do PIB [Produto Interno Bruto] também são originados do setor de consumo", afirma Reis.

A atual composição do índice também torna os investimentos mais previsíveis. Se o investidor projeta crescimento do PIB, consequentemente as ações desses setores também devem ter um desempenho positivo. "Ganharam participação no ciclo recente os setores que conseguiram preservar sua rentabilidade mesmo nesta fase aguda da economia", diz Barros.

Como comparação, em 2008 o setor de consumo representava apenas 27% da composição do Ibovespa. Naquela época, os papéis que dominavam o índice eram das empresas do setor de commodities, com 44% de participação. Foi um momento em que a economia chinesa estava em expansão e consumia commodities do mundo todo. "Essa situação não deve se repetir. Não projetamos um superciclo de commodities novamente", diz Reis.

No início dos anos 2000, a prevalência de companhias no Ibovespa era de papéis ligados a empresas em processo de privatização, como as de telecomunicações. Naquela época, o governo federal adotou um modelo de crescimento que previa a redução da participação do Estado na economia. A presença dessas companhias no índice era de 50%.

Como comparação, a composição do S&P 500, um dos principais índices da bolsa americana, também tem uma presença maior das ações do setor de consumo, com 38,29%. Neste percentual, estão incluídas as ações do setor financeiro. A segunda maior representatividade é do setor de tecnologia da informação, com 20,87% de participação.

Há dois anos, a BM&FBovespa mudou o modelo de composição do Ibovespa. Além da liquidez, o valor de mercado das empresas também passou a ser considerado. O cálculo do índice considera um terço da participação no número de negócios e dois terços do volume financeiro da bolsa. Antes, o que prevalecia era o critério de liquidez, o que fez com que empresas com baixo valor de ações, como a OGX, pudessem figurar entre as de maior peso no índice. A mudança ocorreu para tornar o índice menos suscetível a oscilações bruscas de alguns papéis.

Fonte: Valor Econômico

Bandeira tarifária segue verde em setembro
Emerson F. Tormann16:57

A conta de luz vai continuar com bandeira tarifária verde em setembro, pelo sexto mês seguido, disse na sexta-feira (26) a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
De acordo com a agência, a manutenção da bandeira verde reflete a "evolução positiva do período úmido de 2016, que recompõe os reservatórios das hidrelétricas, o aumento de energia disponível com redução de demanda e a adição de novas usinas ao sistema elétrico brasileiro".

A melhora no nível dos reservatórios pode garantir a permanência da bandeira verde pelo menos até o fim deste ano. "Acho que vamos ficar com a verde até o fim, até porque em outubro e novembro começa a chover. Além disso, no período seco está chovendo. Ou seja, o balanço da carga de geração permite dizer que não será necessário gerar tanta térmica", afirmou o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Eduardo Barata, conforme reportagem publicada pela agência de notícias Reuters.

O diretor-geral do ONS declarou ainda que as notícias de que o governo estaria avaliando passar a cobrança para a bandeira amarela são especulações. "Mantemos verde a bandeira [sem adicional], com certeza", comentou Barata.

Na bandeira amarela, a cada 100 quilowatts-hora (kWh) de consumo é cobrado R$ 1,50 e na vermelha o adicional pode ser de R$ 3,00 e R$ 4,50.

Fonte: DCI 

sábado, 27 de agosto de 2016

Brasília Solar: aulas de instalação de placas que captam a luz do sol se iniciam em outubro
Emerson F. Tormann13:05

Contrato assinado nesta quinta-feira (25) oficializa curso de capacitação para pessoas com renda de até R$ 154 por mês



As aulas de instalação de placas solares e de manutenção do sistema fotovoltaico para 150 pessoas em situação de vulnerabilidade se iniciarão em 3 de outubro. Os cursos profissionalizantes fazem parte do programa Brasília Solar e são fruto de parceria entre a Secretaria do Meio Ambiente do Distrito Federal e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). A cerimônia de assinatura do contrato ocorreu nesta quinta-feira (25), em Taguatinga.

A tecnologia converte a luz solar em energia elétrica sustentável. “Essa é uma realidade que aflora no Brasil e, com esse projeto, visamos dar suporte para pessoas que precisam de ajuda social para entrar em um mercado promissor”, disse o secretário do Meio Ambiente, André Lima. O documento foi assinado por ele e pelo diretor do Senai do Distrito Federal, Albano Esteves Abreu.
“Essa é uma realidade que aflora no Brasil e, com esse projeto, visamos dar suporte para pessoas que precisam de ajuda social para entrar em um mercado promissor”André Lima, secretário do Meio Ambiente do DF

O subsecretário de Integração das Ações Sociais, da Secretaria do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, Célio Silva, se disse orgulhoso em participar do evento. “Criaremos no DF um grupo de profissionais que atenderá a uma necessidade que será exigência para a sobrevivência de toda a humanidade”, disse.
Aulas práticas e teóricas

Seis turmas de 25 alunos farão o curso de 200 horas de aulas teóricas e práticas com professores do Senai. As duas primeiras começam em 3 de outubro. Os conteúdos disciplinares incluem análise e estudo de normas, eletricidade básica, estudo de baterias, interpretação de projetos elétricos e tecnologias fotovoltaicas.

O custo é de R$ 300 mil, recursos do Fundo Único do Meio Ambiente do DF (Funam). A capacitação faz parte de edital criado pela Fábrica Social que abriu 1,4 mil vagas para pessoas com renda individual de até R$ 154 por mês e com, no mínimo, 16 anos de idade.

VINÍCIUS BRANDÃO, DA AGÊNCIA BRASÍLIA

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Preconceito barra carro elétrico, diz estudo
Emerson F. Tormann12:29


Nove em cada dez dias de uso de carro hoje nos Estados Unidos poderiam ser supridos por veículos elétricos baratos e que já estão no mercado, com uma única carga de bateria. O resultado disso seria uma economia de gasolina – e das emissões de carbono correspondentes – de 60% no país que tem a população mais motorizada do mundo.

A conclusão surpreendente é de um estudo feito por pesquisadores do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) e do Instituto Santa Fé, ambos nos EUA, publicado na segunda-feira (15) no periódico científico Nature Energy.

A pesquisa desmonta um dos principais mitos que ainda impedem a adoção mais ampla dos carros elétricos: a chamada “ansiedade de autonomia”. Segundo os cientistas, liderados por Jessika Trancik, do MIT, existe entre os consumidores uma noção de que veículos movidos a eletricidade não possuem autonomia suficiente para realizar os deslocamentos cotidianos necessários. Isso obrigaria os usuários a parar para recargas demoradas de bateria numa rede de “postos de eletricidade” que não existe hoje nem mesmo nos EUA.

Desconfiados dessa ladainha, Trancik e colegas resolveram olhar os dados. Eles compilaram uma pilha de informações disponíveis em várias bases de dados sobre o padrão de deslocamento de carro do cidadão americano médio em 12 cidades em todo o país. Essas bases existem graças ao GPS, que permite a programas como o Waze monitorar em tempo real o deslocamento de milhões de pessoas.

O que os cientistas descobriram foi que a maior parte das viagens de carro são curtas, especialmente nas cidades. E que 87% dos dias de uso de automóvel poderiam ser supridos usando um carro quase popular: o modelo 2013 do Nissan Leaf, um veículo que custa de US$ 21 mil a US$ 29 mil, menos do que a média de preço dos 94 carros mais vendidos nos Estados Unidos.

Trancik e colegas construíram um modelo de transportes que levasse em conta os deslocamentos e as variações no consumo de energia do Leaf com uma bateria de 19 kWh (por exemplo, se o ar-condicionado está ligado a autonomia cai) e chegaram à média de 73 milhas (117 km) por recarga. É mais do que suficiente para dar conta dos deslocamentos da maioria dos moradores das cidades estudadas. Supondo a média de uso dessas pessoas revelada pelos bancos de dados, a cada cem dias o uso de um carro a gasolina seria necessário em apenas 13. Na zona rural, onde as distâncias são maiores, esse número aumenta para 20. As recargas poderiam ser feitas em casa durante a noite, período de baixa demanda por eletricidade.

O grupo se apressa em dizer que não dá para aposentar o carro com motor a explosão ainda: os 13% dos dias de viagem que sobram, afirmam, “tendem a envolver longas distâncias e direção em maior velocidade”, razão pela qual o consumo de gasolina não cai na mesma proporção do potencial aumento na adoção de veículos elétricos.

“Realizar esse nível de adoção exigiria que seus prospectivos donos tivessem acesso a outros veículos com maior autonomia para atender às suas necessidades”, escrevem os autores. “Prever os dias de maior [demanda por] energia e prover soluções convenientes – como, por exemplo, programas comerciais de compartilhamento de carros a combustão interna (…) ou modais alternativos de transporte – pode, portanto, ser crítico para aumentar à posse de veículos elétricos a bateria.”

No entanto, um carro elétrico que atendesse às metas do programa federal americano Arpa-e (Agência de Projetos Avançados de Pesquisa em Energia), de elevar a capacidade da bateria para 55 kWh, poderia atender a 98% da demanda americana. Uma bateria dessas deverá estar pronta para o uso comercial em poucos anos. Hoje, a meta climática americana de reduzir de 26% a 28% as emissões de gases-estufa em 2025 em relação a 2005 poderia ser cumprida com folga no setor de transportes usando carros elétricos, avalia a pesquisa.

“O trabalho de Trancik e colegas mostra como os veículos elétricos podem suprir a maior parte da demanda por deslocamentos, o que torna sua baixa adoção um mistério”, escreveu Willet Kempton, da Universidade de Delaware, em comentário ao estudo na mesma edição da Nature Energy.

Não bastasse a desconfiança do consumidor, os veículos a bateria ainda precisarão enfrentar uma ofensiva de propaganda da indústria fóssil nos EUA: os irmãos Koch, financiadores do negacionismo climático americano, estão bancando uma campanha de US$ 10 milhões para “bombar os combustíveis derivados de petróleo e atacar os subsídios do governo para carros elétricos”, segundo reportou o DeSmog Blog.

Fonte:FNE
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sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Aneel propõe reajuste de 0,37% nas tarifas da CEB em 4º ciclo de revisão
Emerson F. Tormann10:17



A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) propôs nesta terça-feira, 9, um reajuste médio de 0,37% nas tarifas da CEB. Para consumidores conectados à alta tensão, haveria um aumento de 3,83%, e para a baixa tensão, queda de 1,39%.

A proposta diz respeito ao quarto ciclo de revisão tarifária periódica, processo realizado pela Aneel de quatro em quatro anos com o objetivo de manter o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos.

Os índices ficarão em audiência pública entre os dias 10 de agosto e 12 de setembro. Se aprovado, o reajuste terá validade a partir de 22 de outubro. A CEB atende a cerca de 1 milhão de unidades consumidoras no Distrito Federal.

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quarta-feira, 10 de agosto de 2016

PSR: projeto de lei da portabilidade precisa ser revisto
Emerson F. Tormann16:33


Na nova edição do Energy Report, consultoria ainda alerta para os riscos de desobrigar as distribuidoras da contratação mínima de energia existe


As propostas trazidas pelo projeto de lei de portabilidade da conta de energia elétrica (PLS 232/2016) precisão ser revistas como um todo, inclusive para evitar uma nova rodada de contestações judiciais no setor, conclui a PSR, uma das mais respeitadas consultorias na área de energia elétrica do Brasil. Nesta semana, a PSR publicou mais uma edição do seu boletim semanal Energy Report, apresentando uma análise detalhada sobre o Projeto de Lei do Senado.

Para a PSR, o projeto "altera radicalmente o modelo comercial, a ponto de desfazê-lo na prática, sem, no entanto, ser 'completo', já que ele não estrutura um novo modelo para substituí-lo, com todas as peças necessárias para assegurar o seu pleno funcionamento", tão pouco apresenta como seria feita essa transição de modelo ou como seriam tratados os custos "encalhados".

Outro problema grave destacado pela consultoria é a ausência de estimativas das consequências do projeto sobre os preços, tarifas, custos e situação financeira dos consumidores e agentes do setor. "Uma reforma como a que está sendo proposta afetará profundamente não só o ambiente de negócios do setor, como também a evolução da oferta, e por conseguinte a própria segurança do suprimento, e por isso mesmo suas consequências têm de ser projetadas para que se tenha a certeza de que não serão criados estresses desnecessários e situações de desequilíbrio econômico-financeiro como as que sofremos em anos recentes", diz.

Para PSR, o texto apresenta várias contradições com as regras vigentes. A proposta também deve acabar com a separação entre ambientes regulado e livre, além de criar vários obstáculos que conflitam com a presente forma de operação do sistema e das distribuidoras.

A edição nº 115 do Energy Report também alerta para o efeito negativo que a eliminação do limite mínimo de contratação da energia existe pelas distribuidoras pode trazer para o setor. A novidade está prevista no Decreto nº 8.828, publicado no dia 2 de agosto deste ano.

Segundo a PSR, a regra que obriga as distribuidoras a recontratarem, em cada leilão de energia existente, pelo menos 96% do montante de energia cujos contratos estão vencendo tem uma razão: obrigar as concessionárias a contratar como energia nova somente o aumento da demanda, e assim fazer com que elas recontratem energia existente para atender a demanda já existente.

Sem esta regra, diz a PSR, as distribuidoras poderiam contratar energia nova em excesso, forçando uma expansão desnecessária da oferta, para depois, se houvesse sobra, não renovar os contratos de energia existente quando vencessem. O resultado seria uma expansão ineficiente, com o excesso de energia indo para o ACL, que passaria a ter preços deprimidos, enquanto o ACR seria atendido quase exclusivamente com energia nova (e, portanto, mais cara).

O decreto simplesmente aboliu esta regra, permitindo que as distribuidoras não renovem contratos de energia existente. O motivo é permitir-lhes livrar-se das sobras causadas pela atual retração da demanda. “Entendemos que estas sobras criam uma situação insustentável, porém a solução de resolvê-la apenas eliminando o limite inferior de contratação pode resultar em um setor estruturalmente desequilibrado", diz a consultoria.

Simulações preliminares feitas pela PSR indicam que as distribuidoras, ao otimizar seu nível de contratação diante das incertezas, começariam a buscar energia nova além do necessário. Em um eventual leilão A-5 de 2017, a demanda, que seria praticamente nula, passaria para cerca de 1,8 GW médios. "Sendo assim, e dado que as sobras tendem a aumentar, é urgente que se busque uma solução estrutural para esta questão, levando em conta todos os aspectos do modelo comercial. E é essencial que as propostas de solução sejam simuladas e discutidas de forma transparente com os agentes e consumidores, de forma a buscar caminhos que efetivamente equilibrem segurança de suprimento e eficiência".

"Nesse sentido, esperamos que a supressão da contratação mínima em leilões de energia existente seja apenas um primeiro passo indicativo, e que brevemente se comece a construção de um novo modelo comercial, já que ela sozinha apenas desfaz um aspecto fundamental do modelo atual, sem colocar nada em seu lugar".

Fonte: Agência CanalEnergia

O pulverizado lobby do setor elétrico
Emerson F. Tormann16:11



Apreciador de charutos e de um bom conhaque para relaxar depois do expediente, o presidente Ulysses Grant (1869-1877) costumava ser abordado no lobby do hotel Willard, a duas quadras da Casa Branca, por pessoas que queriam sua ajuda para resolver pendências no governo americano, como disputas de terras e construção de obras públicas. Ao reiniciar a rotina, no dia seguinte, Grant referia-se a eles como "os lobistas do Willard". O termo pegou.

No Brasil, Dilma Rousseff nem havia falado ainda em estocar vento quando um punhado de empresas dedicadas ao armazenamento de grandes quantidades de energia em baterias resolveu fazer uma investida mais bem articulada em defesa de seus interesses junto às autoridades. Em meados do ano passado, elas fundaram a ABAQUE, que hoje tem pela frente o desafio de dar sentido à mal compreendida declaração da presidente afastada (sim, é tecnicamente possível estocar megawatts produzidos por uma usina eólica para uso posterior).

A recém-criada entidade engrossa uma lista superior a duas dezenas de associações do setor elétrico que lutam por influência e atenção nos gabinetes de Brasília. Nenhum outro ramo da economia tem atualmente um lobby tão pulverizado na Esplanada dos Ministérios e no Congresso Nacional. Paradoxalmente, essa teia extensa de relações com o poder esteve longe de assegurar um ambiente amigável para a atuação das empresas de energia nos últimos anos.

Associações lutam por influência nos gabinetes de Brasília

"Elétron é elétron. Não importa se vem tostadinho ou mal passado", costuma dizer o engenheiro Mário Veiga, um dos mais respeitados consultores do setor elétrico, ao se referir, com certo estranhamento, a essa fragmentação exagerada dos lobbies. Os donos de pequenas centrais hidrelétricas - aquelas usinas com até 30 megawatts de potência - estão rachados em duas agremiações diferentes. As grandes geradoras de energia também se dividem entre duas associações. Tem ainda a entidade que representa especificamente usinas eólicas, outra das solares, a das térmicas movidas a carvão, mais uma que congrega térmicas a gás natural ou óleo, a associação dos eletrointensivos que produzem sua própria energia.

Tem o clube dos grandes consumidores industriais, com gente como Vale e Alcoa, e o dos médios consumidores, incluindo shopping centers e redes de hotéis. Há a associação das maiores distribuidoras e a das menores. Agora existe até uma tentativa de aglutinar interesses difusos: o Fórum das Associações do Setor Elétrico.

Ministra de Minas e Energia por dois anos e meio, Dilma frequentou várias vezes o playground do edifício onde Veiga mora em Ipanema. Debatia por longas horas e em pleno fim de semana a reforma do marco regulatório que passaria a vigorar em 2004. Era uma época, conforme lembra mais de um interlocutor, em que ela não alimentava sua personalidade intransigente e se mostrava mais aberta a acatar opiniões contrárias. Só não gostava muito de receber individualmente os empresários. Sugeriu que fossem criadas mais associações para facilitar o diálogo, e assim se fez.

"A gestão da Dilma foi um catalisador, acelerou o processo, mas isso teria acontecido naturalmente", diz Élbia Gannoum, ex-assessora econômica do ministério, que hoje preside a Abeeólica. Para ela, setores mais complexos da economia, como certamente é o caso do elétrico, tendem a ver o surgimento de mais entidades empresariais porque lidam com muitas especificidades.

Élbia não é a única executiva de prestígio, com reputação inquestionável, que levou sua experiência na máquina pública para o outro lado do balcão. Ex-diretor da Eletrobras, Nelson Leite foi pinçado por "headhunters" para comandar a Abradee (associação das grandes distribuidoras), que saiu do Rio e se instalou em Brasília. "Era importante estarmos mais perto do governo, dos parlamentares, da agência reguladora. Se nos chamam para uma reunião, chegamos em 15 minutos", explica Leite, ao explicar a decisão sobre a mudança de sede.

Nenhuma proximidade com o poder foi suficiente para conter o excesso de intervencionismo patrocinado por Dilma, que atingiu o auge com a publicação da MP 579, responsável por baratear na marra as contas de luz. O que se viu em seguida, em meio à desarrumação geral do setor, ilustra como os lobbies podem ser eficazes pontualmente: 11 medidas provisórias foram editadas, depois de 2012, para corrigir lambanças do plano de redução das tarifas de energia.

Cada lobby, sem a necessidade de recorrer a qualquer prática condenável, encontra um público ideal para levar adiante seus pleitos: o ex-ministro Eduardo Braga tinha fascínio pela energia solar, a bancada do Nordeste no Congresso adora as eólicas (pelo potencial dos ventos na região), deputados gaúchos e catarinenses fazem uma defesa aberta do carvão mineral.

A proliferação dos lobbies, como diz Élbia, é parcialmente fruto da complexidade do setor elétrico. Mas não deixa de ser também um sintoma da confusão regulatória e de descontrole do governo: vale a pena ser amigo do rei e buscar uma saída para o caos, ainda que pontual e específica para cada pequeno segmento, quase sempre espetando nas tarifas o preço do conserto. Como se, procurando direitinho entre as árvores, todos ficassem bem enfiando-se numa redoma, enquanto o incêndio toma conta da floresta. Os subsídios e remendos foram se acumulando de tal forma que o combate ao fogo tem caído nas costas dos consumidores. Pena que, com tantas associações, não surgiu o Instituto Brasileiro de Defesa da Dona Maria.

Para não fugir do tema mais incandescente dos últimos dias... Uma das decepções da Copa do Mundo tem sido justamente o ponto alto da Olimpíada: a torcida verde-amarela. Até a troca do apático "brasileiro, com muito orgulho, com muito amor" pelo antigo "lê-leô, Brasil" merece ser saudada com um resgate da espontaneidade nas arenas. Aos que cobram silêncio nos pontos decisivos e veem um insulto indesculpável nas vaias aos adversários em esportes coletivos, convém esperar pelos Jogos de Tóquio, em 2020.

Fonte: Valor Econômico

sábado, 6 de agosto de 2016

Campanha pela energia livre para todos os consumidores entra no ar
Emerson F. Tormann20:46

Meta é alertar que há dois projetos de lei que visam liberar o mercado livre para todos e fornece estimativa de economia


A campanha Energia livre - isso é da sua conta já está no Ar com a meta de alertar os consumidores de que há dois projetos que tratam da portabilidade da conta de luz. O objetivo é abrir a possibilidade de escolha do fornecedor de energia, de maneira semelhante como fazem com a telefonia celular. A iniciativa conta com a participação de empresas do setor e conta com o apoio da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia.

A campanha colocou no ar um site onde os interessados podem aderir a um abaixo-assinado cujos resultados serão apresentados ao Congresso Nacional. O site apresenta ainda uma série de informações sobre o tema. A campanha conta também com a difusão de informações por meio do Facebook (Energia Livre) e do Twitter (Livre Energia).

Os projetos em tramitação estão um no Senado, é o Projeto de Lei do Senado 232 de 2016 que tem como autor o senador Cássio Cunha Lima (PSDB/PB), e há ainda o Projeto de Lei 1.917 de 2015 de autoria dos deputados Marcelo Squassoni (PRB/SP), Antônio Carlos Mendes Thame (PV/SP), Rodrigo de Castro (PSDB/MG), Augusto Carvalho (SD/DF), Odorico Monteiro (PROS/CE) e Pedro Vilela (PSDB/AL). Ambos propõem um conjunto de transformações no setor elétrico que também permitirão a expansão da oferta de energia, a ampliação do uso de fontes limpas, a redução de preço da energia elétrica e seu uso consciente.

No site há um simulador da economia nas contas de luz residenciais considerando os preços médios verificados no mercado livre e os dados das concessionárias de distribuição de todo o país, incluindo as tarifas de energia e de distribuição homologadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica. Para fazer a simulação, basta o usuário inserir o valor pago pela energia consumida e sua distribuidora.

Fonte: Agência CanalEnergia, Mercado Livre


GE fornece soluções de energia para centro de transmissão dos Jogos Olímpicos
Emerson F. Tormann20:17

International Broadcast Centre demandará uma carga energética de 50MW, o equivalente a três Maracanãs lotados em pleno funcionamento


A GE, em um acordo com o Comitê Olímpico Internacional, forneceu as tecnologias de distribuição elétrica para o Centro Internacional de Transmissão (IBC, ou Internacional Broadcast Center). O centro abrigará as operações das emissoras de TV e rádio e de portais de todo o mundo que detêm os direitos de transmissão dos Jogos, sendo fundamental para que milhares de pessoas possam acompanhar o evento em escala global. Durante os Jogos, o IBC deverá demandar uma carga energética de 50MW, o equivalente ao consumo de uma cidade de 220 mil habitantes ou três Maracanãs lotados em pleno funcionamento.

A GE Energy Connections forneceu todo o sistema de distribuição elétrica do IBC. A empresa supriu o complexo com transformadores, painéis de baixa e média tensão e componentes menores que vão embarcados na estrutura fornecida. Pelo sistema passará toda a energia que alimenta a operação do centro. “A operação do IBC é crucial para o sucesso dos Jogos Olímpicos. A partir do complexo são produzidas e transmitidas uma quantidade imensa de dados que alimenta emissoras de TV, rádio e portais ao redor de todo o mundo. Trata-se de uma operação crítica e que exige altíssimo nível de confiabilidade”, destaca Sotiris Salamouris, chefe do departamento de Tecnologia da OBS, empresa detentora da transmissão dos Jogos Olímpicos.

O IBC está alocado dentro do Parque Olímpico do Rio em uma área de 85 mil metros quadrados. O espaço abrigará aproximadamente 10 mil profissionais de imprensa de cerca de 180 veículos licenciados ou sublicenciados para transmitir o evento, o que ao todo deve gerar o equivalente a mais de 6 mil horas de transmissão. Os arquivos de áudio e vídeo gerados a partir do IBC serão veiculados para 226 territórios diferentes. “Operando em sua plenitude, a estrutura do IBC é comparável ao de uma cidade, sendo a tecnologia da GE fundamental para suportar a operação do complexo”, comenta Homero Galindo, diretor comercial da GE Industrial Solutions para a América Latina.


Fonte: Agência CanalEnergia

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